sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

São Sebastião de Bagé

Por: Diones Franchi

São Sebastião é o padroeiro de Bagé, mas também é o padroeiro dos militares. Sua história é conhecida somente pelas atas romanas de sua condenação e martírio. Nessas atas de martírio de cristãos, os escribas escreviam dando poucos detalhes sobre o martirizado e muitos detalhes sobre as torturas e sofrimentos causados a eles antes de morrerem. Essas atas eram expostas ao público nas cidades com o fim de desestimular a adesão ao cristianismo. 

O Soldado

Sebastião era um soldado romano que foi martirizado por professar e não renegar a fé em Jesus Cristo. Sebastião nasceu na cidade de Narbona, na França, em 256 d.C. Seu nome é de origem grega, Sebastós, que significa divino, venerável. Ainda pequeno, sua família mudou-se para Milão, na Itália terra de sua mãe, onde ele cresceu e estudou. Sebastião optou por seguir a carreira militar de seu pai. Ele e sua família teriam chegado a Roma através de caravanas de migração lenta pelas costas do mar mediterrâneo. Se alistou no exército romano por volta de 283 d.C. com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão.
No exército romano, chegou a ser o Capitão da 1ª da Guarda Pretoriana. Esse cargo só era ocupado por pessoas ilustres, dignas e corretas e de extrema confiança do Imperador. Sebastião era muito dedicado à carreira, tendo o reconhecimento dos amigos e até mesmo do Imperador Romano, Maximiano. Na época, o império romano era governado por Diocleciano, no oriente, e por Maximiano, no ocidente. Maximiano não sabia que Sebastião era cristão. Não sabia também que Sebastião, sem deixar de cumprir seus deveres militares, não participava dos martírios nem das manifestações de idolatria dos romanos. Por isso, São Sebastião é conhecido por ter servido a dois exércitos: o de Roma e o de Cristo. Sempre que conseguia uma oportunidade, visitava os cristãos presos, levava uma ajuda aos que estavam doentes e aos que precisavam.

A morte

Por volta de 286 a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas que se tornaram símbolo constante de sua imagem. Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene, apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas. Segundo seu relato, Sebastião apareceu-lhe em sonho e lhe pediu que seu corpo fosse encontrado e sepultado nas catacumbas onde eram sepultados os cristãos.

O Santo

No século IV, foi construída, em sua homenagem, uma basílica perto do local do sepultamento, junto à Via Appia, e seu culto foi difundido por todo o mundo católico. No ano de 680, suas relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje. Por coincidência ou não, nessa mesma época, uma terrível peste assolava Roma, levando à morte muitas pessoas. Essa epidemia simplesmente desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais desse santo mártir, que passou a ser venerado como o padroeiro contra a peste, a fome e a guerra. Também em Milão na Itália, em 1575, e em Lisboa, em Portugal em 1599, ocorreram pestes epidêmicas que foram exterminadas após atos públicos onde as pessoas suplicavam a intercessão espiritual de santo mártir junto a Deus para que a peste fosse embora.

O Padroeiro de Bagé

Em Bagé em 20 de janeiro de 1813, uma procissão transladou a imagem de São Sebastião da Guarda da Coxilha para o acampamento militar deixado por Dom Digo de Souza, sendo que a igreja foi concluída em 1820.
Inicialmente, a imagem ficou em um rancho e em 1815 iniciou-se a construção de uma igreja em louvor do santo. O Oratório desta Guarda foi construído com paredes de leivas e pedra sendo coberto com capim santa fé, a imagem de São Sebastião talhado em madeira com traços de nativos missioneiros.
Em 10 de dezembro de 1815, encontrava-se em Pelotas, o Bispo do Rio de Janeiro D. José Caetano da Silva Coutinho que autorizou a ereção de uma capela em louvor de São Sebastião, com a sua imagem transferida do oratório da Guarda de São Sebastião e do acampamento fundado por Dom Diogo de Sousa. 
Em 17 de junho de 1818, o Cônego Antônio Vieira da Soledade elevou à condição de Capela Curada, sendo Cura com o Padre Gervásio Antônio Pereira Carneiro, seguido do Padre Joaquim Paulo de Sousa Prates. Concluída em 1820, a antiga igreja era muito simples, resumindo-se a uma capela-mor e tendo como corpo um galpão coberto de palha. A Igreja sofreu vários danos durante a Guerra Cisplatina e a Guerra dos Farrapos, prejudicando suas estruturas. A antiga Igreja passou vários anos em estado precário, até que foi demolida para se iniciar a construção de uma nova. A atual Matriz começou a ser construída em 1862 e foi concluída em 1878. Em 1865, quando já estavam prontos a capela e o altar-mor, com a Igreja já coberta é que começaram os cultos.
A verba para a obra veio do Governo da Província, espetáculos feitos para arrecadar recursos e donativos da população. Uma grande doação (de 12 contos de réis) foi feita pelo Sr. Carlos Silveira Martins (pai de Gaspar Silveira Martins), com a condição de que uma das torres abrigasse o túmulo de sua família. O comerciante espanhol Ramon Galibern trouxe, da Espanha, um relógio de presente para a Matriz, que ficou preso na alfândega de Rio Grande por aproximadamente um ano, e só foi colocado na torre, à esquerda da entrada, em 1873.
A antiga Igreja de São Sebastião foi erguida para abrigar a imagem de São Sebastião, Santo Padroeiro de Bagé. A atual Matriz é obra do arquiteto Pedro Obino, de 1878. Francisco Carlos Martins, pai de Gaspar Silveira Martins, doou uma grande quantia para a construção da nova igreja e, como retribuição, a catedral abriga, na base de sua torre direita, os túmulos de Gaspar Silveira Martins e sua família.
Em 1893, durante a Revolução Federalista, a catedral e a Praça da Matriz foram palco de grandes acontecimentos no episódio que ficou conhecido como Cerco de Bagé, quando forças revolucionárias, pretendendo tomar a cidade, obrigaram os legalistas-republicanos, comandados pelo Coronel Carlos Maria da Silva Telles, a armar a defesa da praça. 
Em 1907, quando o presbítero Costábile Hipólito chegou a Bagé, encontrou a igreja sob os estragos por causa do Cerco de Bagé, onde durante a Revolução Federalista. Sendo assim tratou de realizar sua restauração e conclusão, abrindo as naves laterais e mandando fazer pinturas interiores. Depois outras reformas foram feitas, até que em 1947, os padres capuchinhos assumindo a direção da Paróquia, realizaram novas obras, sendo tapados os furos das balas que a fachada da igreja ostentava. A catedral recebeu nova pintura em 2003, graças ao apoio da comunidade, sendo também um patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).


A procissão


Todo o ano acontece no município à procissão de São Sebastião, sendo sua imagem trazida por cavalarianos da vila de São Sebastião, cerca de 40 km da cidade. 
O santo, que atualmente está abrigado na Catedral de São Sebastião, chegou ao Brasil em 20 de janeiro de 1565. Fez um grande trajeto, cruzando diversos estados, chegando ao sul, no município de São Sebastião do Caí, onde permaneceu por algum tempo. 
Em 1683 que o santo chegou à região da campanha, pelas mãos dos padres jesuítas da Ordem de Jesus, chefiada pelo padre Tadeu Xavier Henis. Com o adensamento da população na região, a vila ganhou a denominação de seu padroeiro São Sebastião. 
Além de Bagé. São Sebastião é padroeiro em várias cidades do Brasil, onde o santo devoto é também o protetor contra a peste, a fome e a guerra.


As festividades


A Igreja Católica o reverencia no dia 20 de janeiro; também nessa mesma data o fazem as comunidades dos cultos religiosos afro-brasileiros em seus terreiros e barracões, tais como a Umbanda e o Candomblé. Na Umbanda, São Sebastião é sincretizado com Oxossi, orixá da caça e que tem como símbolo o arco-e-flecha; no Candomblé é sincretizado com Ogum, orixá da guerra e de personalidade forte e decidida.

 São Sebastião de Bagé

Catedral de Bagé - RS

sábado, 31 de dezembro de 2016

Núcleo de Pesquisa Históricas Tarcísio Taborda - Atividades de 2016

Por: Cássio Lopes

O Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda foi fundado em 1995, tendo, como primeira presidente, a médica e pesquisadora Elizabeth Macedo de Fagundes. Também presidiram a entidade: Murilo Edgar Budó (In Memoriam), Claudio De Leão Lemieszek, José Otávio Neto Gonçalves, Jose Antonio Marques da Silva (Coronel Marques), Heloísa Beckman Morgado, Alessandro Carvalho Bica e Clarisse Ismério. A instituição também teve muitos colaboradores que contribuíram com suas pesquisas, podendo destacar a incansável Elida Hernandes Garcia e o saudoso Mário Nogueira Lopes. Em maio desse ano, assumi a frente do grupo, onde formamos uma diretoria composta com pessoas dos mais variados segmentos da sociedade, na sua maioria cidadãos humildes, porém comprometidos com o objetivo da organização. Em sete meses de atuação, promovemos várias atividades culturais, começando pelo primeiro “Simpósio de História e Cultura - Bagé 205 anos” realizado na Câmara de Vereadores, onde, na primeira data agendada, o evento não aconteceu devido à falta de energia elétrica em virtude de um temporal, fato inédito que entrou para a história da casa legislativa. O mesmo ocorreu com sucesso uma semana após, com a grande participação da comunidade bageense. Também realizamos seis palestras sobre vários temas de importância histórica, onde foram preletores jornalistas, escritores e pesquisadores regionais, estaduais e internacionais. Além disso, tivemos a rica oportunidade de lançarmos o livro “Seguindo o caminho de Garibaldi: José e sua Anita entre Brasil, Uruguai e Argentina”, do jornalista e escritor italiano, Mauro Gavillucci. Durante 19ª edição da Feira do Livro de Bagé participamos ativamente através da promoção de palestras e mesas redondas. Efetuamos uma expedição a região do Velhaco e Lixiguana, no distrito de Palmas, interior de Bagé, onde fizemos o levantamento dos pontos de relevância histórica, ambiental e cultural, bem como entrevistamos moradores e produzimos um documentário sobre a localidade. Montamos parcerias com universidades (Urcamp e a Unipampa), CTG Prenda Minha e Câmara de Vereadores. Reformulamos nosso logotipo e ganhamos uma sala junto ao Arquivo Público Municipal, por intermédio do seu diretor Cláudio Lemieszek. Enfim, 2016 foi um excelente ano para nossa entidade e esperamos que 2017 seja ainda melhor, com a promoção de novos eventos para a comunidade bageense e região da campanha.

Artigo publicado no Jornal Folha do Sul em 31/12/2016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Palestra: "O dia em que Cacimbinhas virou Pinheiro Machado".


Palestra:

"O dia em que Cacimbinhas virou Pinheiro Machado".
Palestrante Luiz Antônio Farias Duarte - "Nikão Duarte"
Jornalista e Professor Universitário (Unisinos)
Autor do livro "A guerra de Cacimbinhas"
Local: CTG Prenda Minha (Entrada Franca) - 19h
Na oportunidade serão sorteados livros.
Realização: Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda

Palestra: O Caminho de Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi


O escritor e jornalista italiano Mauro Gavillucci, que recentemente lançou a versão brasileira do livro “Seguindo o caminho de Garibaldi", faz uma palestra no Teatrinho da Urcamp com a realização do Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda.

sábado, 12 de novembro de 2016

Combate dos Porongos: surpresa ou massacre?

Cerros de Porongos - Pinheiro Machado - RS

Por: Cássio Lopes

Em novembro de 1844 estava em voga uma suspensão de armas, condição fundamental para que os governos pudessem negociar a paz. Condição essa não cumprida por todos os envolvidos. Alguns historiadores, como o professor da PUC de Porto Alegre, Moacyr Flores, atribuem o episódio de Porongos à traição dentro das forças republicanas, para eliminar o grupo de Lanceiros Negros e acabar com um dos principais entraves às conversações da paz. Para ele, "os negros foram traídos em Porongos porque Caxias tinha ordens de não lhes conceder anistia. Levaram os negros capturados em Porongos e os que foram entregues pelos Farrapos para a fazenda de Santa Cruz e para o Arsenal no Rio de Janeiro". Historiadores dessa corrente cogitam que a matança teria sido combinada entre David Canabarro, o principal general farrapo, e Duque de Caxias, representante imperial, para exterminar os integrantes, que poderiam formar bandos após o término da guerra e forçarem a assinatura da Paz de Ponche Verde. De comum acordo decidiram destruir parte do exército de Canabarro, exatamente seus contingentes negros, numa batalha pré-arranjada, conhecida como a Combate dos Porongos. A questão da abolição da escravatura, uma das condições exigidas pelos farroupilhas para a paz, entravava as negociações. A libertação definitiva dos ex-escravos combatentes precipitaria um movimento abolicionista no resto do império, e a mão de obra escrava vinha mantendo a produção agrícola desde os tempos coloniais. Os Lanceiros Negros teriam sido previamente desarmados por Canabarro e separados do resto das tropas, sendo atacados de surpresa e dizimados pelas tropas imperiais comandadas pelo Coronel Francisco Pedro de Abreu, conhecido como Moringue.
Outros historiadores acreditam que a batalha de Porongos, foi um ataque sofrido pelo general David Canabarro – e não armado por ele em conjunto com o imperialista Caxias. Para Cláudio Moreira Bento, historiador e coronel reformado do Exército Brasileiro, autor de 70 livros, a maior parte deles sobre história militar, os Lanceiros Negros salvaram a República Rio-Grandense e o seu Exército de um colapso total, “através de resistência titânica que lhes custou muitas vidas, que contribuíram para a manutenção das condições honrosas de paz com o Império, como foi o Tratado de Ponche Verde, graças a Caxias”.
Vê-se então um conflito de versões. Para uns, Canabarro é vilão, para outros, sofre um ataque inesperado. Isso se deve a uma carta atribuída ao barão de Caxias, instruindo Moringue a atacar o corpo de Lanceiros Negros, que seriam previamente desarmados, e afirmando que tal situação teria sido previamente combinada com Canabarro. Esta carta foi mostrada em Piratini, a um professor ligado aos demais comandantes farrapos. A autenticidade desta carta foi questionada, tomando por base o depoimento de Azambuja Rangel(cunhado de Moringue), a mesma teria como objetivo principal a desmoralização da imagem de Canabarro. Seja a carta verdadeira ou não, o fato é que o combate de Porongos removeu um dos obstáculos mais complicados para o restabelecimento da paz no Rio Grande, uma vez que o império não admitia conceder a liberdade aos negros que haviam lutado ao lado dos rebeldes farroupilhas, o que, segundo alguns historiadores, seria considerado um "mau exemplo" para os escravos de outras províncias.
Tenha sido surpresa ou traição, de alguma maneira os negros farrapos foram separados do resto da tropa. Isolados e portando apenas armas brancas, os Lanceiros Negros resistiram bravamente antes de serem liquidados. O combate de Porongos, onde oitenta de cem mortos foram negros, abriu caminho para a Paz de Ponche Verde alguns meses depois. “Tombam os Lanceiros Negros de Teixeira Nunes, brigando um contra vinte, num esforço incomparável de heroísmo", segundo Cláudio Moreira Bento.
Artêmio Vaz Coelho, integrante do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota e historiador de Pinheiro Machado, o qual pesquisou durante 20 anos a história do combate e dos lanceiros negros, embasando-se em teses e trabalhos desenvolvidos por diversos historiadores podendo destacar César Pires Machado, Carlos Marino Louzada e Morivalde de Fagundes Calvet,concluiu que a abordagem dos fatos que é feita sobre a batalha tem sido tendenciosa com as insinuações de traição aos famosos lanceiros negros. No entendimento de Artêmio o que ocorreu foi uma fatalidade em que pereceram os verdadeiros heróis republicanos.

Marco da Batalha do Porongos - Pinheiro Machado - RS

Núcleo de Pesquisas promove palestra sobre a Batalha de Porongos

O Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda promove palestra com o pesquisador pinheirense Artemio Vaz Coelho, com mais de 20 anos de pesquisas sobre o assunto. O pesquisador ministrará sobre a batalha e seus acontecimentos. A palestra ocorre no dia 16 de novembro, as 19h no Teatrinho da Urcamp. A entrada é gratuita a toda comunidade!


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Nota de pesar pelo falecimento de Mário Nogueira Lopes

O Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda manifesta o seu pesar e sua solidariedade à família, aos amigos e aos admiradores do jornalista Mário Nogueira Lopes, que faleceu ontem 15 de setembro de 2016 em Bagé. 
Mario Lopes nasceu em 28 de outubro de 1922, em Bagé, filho de Maria da Glória e Túlio Lopes. Participou ativamente da história da imprensa de Bagé. Trabalhou desde a fundação da Rádio Cultura e da Rádio Difusora de Bagé. Foi Diretor do Jornal Correio do Sul de 1970 á 1994, sendo o jornalista que ficou mais tempo na direção de um periódico jornalistico da cidade. Seu nome figura entre os "Cem nomes do século em Bagé". Foi membro fundador do Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda em 1995, tendo seu trabalho de pesquisa e divulgação da história de Bagé, reconhecido por inúmeras homenagens.
A Mário Lopes ex-membro do Núcleo de Pesquisas Tarcísio Taborda, rogamos a Deus as suas bençãos e o conforto aos familiares.

Mário Lopes